sexta-feira, 29 de maio de 2015

Baseado em Fatos Reais

"- Ficar velho é um inferno!"

Com agulhas enfiadas nas veias, revezando entre gotas de sangue, soro e remédios que escorrem pelos tubos, foi o que disse aquela senhora que estava na emergência do hospital, aguardando por um leito. A única coisa em que ela conseguia pensar, depois da sensação desesperadora que viveu ao sentir o ar sair e quase não mais voltar ao seu peito, era que não sabia se iria conseguir sobreviver. Enquanto agonizava de dor e falta de ar, ela dizia que não aguentava mais. O enfermeiro, que estava próximo, tentava manter-se firme e indiferente aos gemidos daquela senhora, já que tinha que cuidar, sozinho, de mais outros 7 pacientes. Mas ele não sabia que não era para ele que ela, num sussurro sofrido, implorava por ajuda; ela tentava falar com Deus.

"-Vai ficar tudo bem. A senhora vai viver muito tempo ainda."

Quem olhava para aquela menina nem imaginava o vazio que ela carregava por dentro.
Aos 17 anos, engravidou e tornou-se mãe de um menino que nunca vai conhecer o rosto do pai. 9 anos depois, ela conheceu um homem mais jovem - inteligente, esforçado, que amava a ela e ao filho -, e era como se tivessem nascido destinados a ser uma família. Quando ela recebeu a notícia de que estava grávida, novamente, a felicidade tomou conta dos três. Só que ela nunca imaginou que dois meses depois estaria no hospital, aguardando para fazer uma cirurgia para retirar um feto que não quis nascer, e que agora lhe causava uma dor insuportável no abdômen. Uma gravidez nas trompas lhe roubou o ser que estava se formando dentro dela, e que ela já amava tanto. E a família não crescerá mais. Será apenas os três - até não ser mais.

"- Que horas vou chegar em casa, hein?!"

Perguntou-se o senhor de 97 anos, que há 4 horas aguardava, na sala de espera da emergência, os exames de sangue e a tomografia que havia feito. Ele chegou no hospital com uma tosse forte, que começara a lhe causar uma forte dor nas costas. Como ele mora sozinho, quem o levou até lá foi uma senhora, que mora no mesmo prédio, de quem ele gosta como se fosse uma filha. 
Já era madrugada, e após tantas horas de espera ele já sentia muito mais o sono, de quem é acostumado a dormir às 08 horas da noite, do que a dor causada pela tosse. Ele já estava planejando, mentalmente, o roteiro que faria ao sair dali, para chegar no ponto de táxi e depois em casa. Ele gosta de ir dormir cedo, para levantar ainda mais cedo, e assistir ao primeiro telejornal da manhã. Seus pensamentos foram interrompidos pelo chamado do médico. Ele não voltaria pra casa naquela noite; culpa dos pulmões que resolveram falhar. Ele não quis perguntar, mas imaginou se poderia ir pra casa há tempo de ver o telejornal matinal.


Foto de Hospital Tumblr


Enquanto essas e muitas outras histórias, de muitos outros pacientes, se desenvolviam ao longo daquela noite no hospital, Valeria apenas observava. Ela estava lá para fazer uma cirurgia simples. Sabia que não corria risco de vida, que não tinha nada grave, então logo voltaria pra casa. Mas ela estava triste. Triste por saber que nem todos sairiam daquele hospital. Triste por saber que muitas pessoas estavam sofrendo enquanto esperavam, e nada podiam fazer. Triste por saber que, neste país, quem tem convênio espera horas por um exame, mesmo sendo de emergência; e quem não tem convênio, tem sérias chances de morrer enquanto espera. Triste por saber que seus pais ficarão velhos, terão problemas de saúde mas não terão garantias de um bom tratamento. Triste por saber que ela mesma ficará velha e, talvez, até lá, as coisas não mudem. 


E eu fico triste por saber que este não é só mais um devaneio mas, sim, uma história real.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

E aí, vale a pena?

Paula, apesar de não aparentar, está prestes a fazer 30 anos. E com isso, antecipadamente, conheceu a tal "crise dos 30". Suas amigas falam que já está mais do que na hora de ela pensar em casar e ter filhos, mas apesar de Paula gostar muito do cara com quem tem saído, desde o último carnaval, ela só quer uma carreira onde ela possa progredir fazendo o que gosta e ser livre pra viajar. Ela se arrepende por não ter realizado muitos planos enquanto era mais jovem, e este é o motivo pelo qual, hoje, ela trabalha de segunda a sábado e ainda estuda durante a semana. 

Ela espera que isso tudo valha a pena.


Bruno tem 25 anos e há 4 anos foi morar com sua namorada que conheceu ainda na escola, com quem hoje tem uma filha de 1 ano. Quando criança, ele sonhava em ser jogador de futebol, mas seus pais disseram que enquanto ele morasse sob o mesmo teto que eles, iria estudar pra ser alguém na vida. E ele estudou... Concluiu o ensino médio e foi trabalhar como office boy. Juntou dinheiro, comprou uma moto e virou motoboy. E é desta forma que ele garante o sustento da sua recém formada família. 

Ele espera que tudo isso valha a pena.


Laís finalmente completou os tão esperados 18 anos, e sempre foi motivo de orgulho para todos a sua volta. A família inteira compareceu a noite de glamour e valsa, para comemorar a data. Ela foi aprovada na faculdade de psicologia e está com um intercâmbio marcado para o próximo verão. Laís nunca namorou sério, mas sonha em encontrar seu grande amor como em uma reprodução real de um filme francês. Ela acredita que é importante se formar, conquistar estabilidade, para então tornar-se mãe e esposa, como fez sua própria mãe.

Ela espera que tudo isso valha a pena.



Em algum momento da vida, Paula, Bruno e Laís acabaram se cruzando. 
Paula olhou para Bruno com sua mulher e filha, e questionou-se sobre o quão fácil parecia ser, para as outras pessoas, encontrar sua alma gêmea e formar uma família - menos para ela. 
Bruno, ao perceber Laís, lembrou-se de como sua mulher, também, parecia tão leve e feliz antes de engravidar, assim como aquela jovem menina.
Laís, entre uma lida e outra em seu livro de contos eróticos, pensou no quão bem sucedida e segura aquela mulher ao seu lado deveria ser; entediada, ao observar aquela família clássica e feliz a sua frente.

Naquele momento, eles duvidaram se tudo aquilo estava valendo a pena.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Carta para mim mesma de 10 anos atrás

Hey! Nadia! Tudo bem?



Olha só...


Parece que você está completando 28 anos... - Oi? Não, não estou maluca. Sim, eu sou você daqui 10 anos. Eu sei, eu sei, você tem só 18 anos e não liga para o que acontecerá daqui 10 anos... Ah, você já sabe? Tsc tsc tsc. Espere aí, eu só preciso de alguns minutos pra te contar algumas coisas. Pode ser?!?

Então... O que eu queria lhe dizer é: PARE DE QUERER CURTIR O MOMENTO! - Eu sei, eu sei que a moral da história é "curtir a vida" mas, acredite, você terá alguns bons anos pela frente (no mínimo 10), e vai bater aquele baita arrependimento por ter desperdiçado tanto tempo, deixando tudo pra amanhã. O tempo passa rápido demais pra te deixar pensar. Termine o ensino médio, termine o inglês, trabalhe, se jogue logo na faculdade, mesmo que acabe trancando o curso de TI no 4º semestre, por ver que não é nada daquilo que você quer. - Você quer cursar jornalismo? Ãhn... Faça qualquer coisa, mas não pare! Eu te conheço. Eu sei o que você quer da vida, e você precisa saber também, mas agora! Rápido! 


E sabe todos aqueles projetos que você tem em mente? Não, não deixe pra depois porque você vai esquecer e só lembrará daqui 10 anos. Se joga, vai! Você tem tantas oportunidades, aproveite-as! Pare de sonhar tanto! Quer dizer, comece a transformar seus sonhos em realidade A-GO-RA! - Sim, eu sei que tem tempo e que a pressa é inimiga da perfeição. Mas melhor do que sonhar é a sensação de realizar, acredite.

E as próximas palavras podem até quebrar seu coração, mas... lembra de todos aqueles filmes que você viu na Sessão da Tarde, Cinema em Casa e tudo mais? Aqueles do mocinho-sempre-fica-com-a-mocinha-no-final e todos-felizes-e-bem-sucedidos-para-sempre? Lembra? Pois então, nada daquilo é real - Isso, nem mesmo A Lagoa Azul -. Há exceções, claro, mas, desculpe, não vai acontecer com você. Sim, você encontrará vários príncipes pelo caminho (e até algumas princesas, viu?!). E você quebrará alguns corações. Aliás, NÃO QUEBRE CORAÇÕES, Nadia! Sério, não quebre. Porque um dia, quando o seu próprio coração for quebrado, você vai perceber o quanto dói, e não vai querer isso pra ninguém. E, olha, você vai chorar... Nossa, vai chorar muito. - Eu sei, não se parece com você, mas 10 anos é muito tempo! PORRA! Se liga!


Tá, desculpe... Eu sei o quanto você esperou pelos 18 anos. Sei mesmo. Mas, sabe, mesmo que você não tenha desejado tanto assim chegar aos 28, vai ser incrível... - O quê? Não, você não estará em Hollywood... Não, também não será uma atriz de sucesso (na verdade, você é anti social pra caralho, e sua psicóloga disse que você tem uns probleminhas pra se abrir com as pessoas, e sobre ser fechada demais... então, nada de câmeras). Hãn... você também não é rica e nem viajou o mundo. Nããão, também não casou com um rockeiro lindo, nem tem 3 filhos e nem tem uma casa com jardim. Calma, calma, não desiste ainda não! Eu não terminei! Deixa eu lhe dizer: realmente, a vida nem sempre sai como a gente planeja (na verdade, quase nunca sai). E eu sei que você ainda não sabe disso, mas você vai saber. - Vai demorar demais? Você acha? Relaxa, cê nem vai sentir passar. Não, não é um problema. Mas quer saber? esquece tudo o que eu lhe falei! Aos 28 anos, assim como aos 18, você vai acreditar que tudo acontece por algum motivo. E que mesmo que você trace linhas tortas, sempre terá algo de bom para se aproveitar. Sim, você carregará um monte de frustrações dessa vida até aqui, mas você nunca esteve tão consciente de quem você é e do que você quer como está hoje. Então, aproveite. Eu sei que você vai. E sei que vai fazer muita besteira (sim, muita, acredite MESMO), mas todas elas te farão crescer, aprender e chegar até aqui. E você não vai ter orgulho de tudo o que fez, mas terá muito orgulho da pessoa que se tornou. E vai querer melhorar e, com sorte, daqui 10 anos você poderá me dizer: "cara, você tinha razão!".

Ãhn... mais uma última coisa... sabe aquela festa em que você bebeu tanta tequila que perdeu a comanda e a dignidade? Não lembra? Ãhn... então, precisamos conversar..."





domingo, 10 de maio de 2015

Não tinha nada pra fazer então fiz um blog!

Como o título diz, eu estava aqui sem nada pra fazer (depois de olhar todas as séries pendentes e não encontrar nada interessante na TV à cabo), resolvi fazer o tão planejado blog. Na verdade, eu já devo ter feito uns três, quatro blogs, mas a preguiça de mantê-los sempre prevaleceu. Mas, desta vez, por motivos pessoais e profissionais, espero manter este blog maroto.

Não tenho pretensão de ser "óóó uma blogger", ou algo do tipo. Na verdade, nem descobri direito o que irei postar daqui pra frente. Isso é mais um exercício divertido do qualquer outra coisa. Mas, me comprometerei (comigo mesma) a escrever, no mínimo, uma vez por semana.


Enfim, hoje é domingo e eu tenho sono. E, sim, eu sei que o primeiro post deveria ser uma apresentação, maaas, estou com sono demais pra escrever mais do que isso. Prometo que irei melhorar. Mas não hoje.


;)